Bacia Iténez-Guaporé – Corredor Ecológico

O Que é Um Corredor Ecológico?

O corredor ecológico também pode ser conhecido como corredor de biodiversidade, consiste numa faixa de vegetação que faz a ligação entre grandes fragmentos de florestas ou unidades de conservação que são separados por atividades do ser humano como agricultura, estradas, clareiras abertas para atividades madeireiras.

A função dos corredores ecológicos é oferecer a fauna o trânsito livre entre as áreas protegidas. Uma das principais vantagens que esse trânsito oferece é a troca genética entre as espécies. O conceito de corredor ecológico foi cunhado em 1990 e tem como uma das estratégias principais conservar a biodiversidade de um local específico.

Em relação a comprovação da eficiência dos corredores ainda existem algumas controvérsias. Alguns estudos realizados na maioria dos casos no hemisfério norte confirmam que os animais adotam esses corredores, mas ainda se tem dúvidas sobre isso.

Os Corredores Ecológicos no Brasil

Área Binacional

O primeiro corredor ecológico binacional a ser criado foi o Iténez-Guaporé no ano de 2001. O corredor está numa área que tem 23 milhões de hectares (algo equivalente ao tamanho do estado de São Paulo) na bacia dos rios Guaporé-Mamoré e Iténez, essa região é de fronteira entre o Brasil e a Bolívia.

Um dos pontos de destaque desse corredor ecológico é o fato de que ele está num dos pontos de maior diversidade de peixes do mundo, são cerca de 174 espécies que representam um grande interesse comercial. No lado do corredor que pertence ao Brasil existem 30 áreas protegidas.

Já no lado boliviano estão oito unidades de preservação. Além desse corredor ecológico em parceria com a Bolívia o Brasil tem planos de implementação de outros sete corredores com outros países.

A Bacia Iténez-Guaporé

A bacia do rio os brasileiros chamam de Guaporé e os bolivianos de Iténez contam com influências do escudo brasileiro bem como as planícies de Beni que ficam na Bolívia. Devido a essas condições trata-se de um local com uma incrível biodiversidade de habitats e uma fauna bastante peculiar em especial no que concerne as espécies aquáticas.

Uma curiosidade é que a bacia Iténez-Guaporé inclui duas áreas protegidas que são o Parque Nacional Noel Kempff Mercado e também o Parque Departamental e Área Natural de Manejo Integrado Iténez. Como a bacia se encontra num território binacional que tem áreas protegidas e território indígenas recebe cada vez mais a atenção dos gestores públicos e dos cientistas que encontram muito o que observar e estudar na região.

Reduto de Espécies Importantes

A região tem como principal característica ter uma grande variedade de espécies importantes como, por exemplo, o golfinho boliviano, o jacaré-negro, lontra-gigante entre outras espécies. Acredita-se que existam ao menos umas 600 espécies de peixes nesse rio.

Trata-se de um rio muito importante para a biodiversidade uma vez que é um espaço essencial para a conservação de várias espécies aquáticas que podem se refugiar e restabelecer a sua população. Essa situação pode ser claramente exemplificada através da história da ariranha (Pteronura brasiliensis).

No século passado o animal foi perseguido intensamente pelos caçadores devido ao valor elevado da sua pele. A exploração chegou a tal ponto que a ariranha se tornou a terceira espécie carnívora mais perseguida e assim a população desse animal foi bastante reduzida.

Estudos realizados há alguns anos na Bolívia demonstraram que as ariranhas do Parque Noel Kempff no Iténez se recuperaram muito bem desse período de perseguição. Um dos diferenciais dessa área para a recuperação da ariranha foi se tratar de um dos melhores habitats para o seu desenvolvimento. Um refúgio que oferece mais segurança para a espécie.

Conservação da Bacia Iténez-Guaporé

Os ambientalistas têm lutado muito para que a Bacia Iténez-Guaporé seja conservada tanto pelo lado brasileiro como pelo lado boliviano. Aliás, é notável que a parte boliviana se encontra conservada enquanto a brasileira não. Como se trata de uma unidade o fato de o lado brasileiro não ter o mesmo cuidado impacta no lado boliviano e prejudica as espécies que lá se encontram.

Os animais não conhecem as fronteiras e para que possam continuar sobrevivendo e se procriando precisam de um ambiente limpo e saudável como um todo. Se houver uma cooperação binacional no sentido de preservar essa área os resultados podem ser bastante significativos.

O Rio Guaporé/Iténez

O Rio Guaporé faz parte da bacia do Rio Amazonas e banha os estados de Rondônia e Mato Grosso além de fazer a divisa com a fronteira da Bolívia. Esse rio nasce na Chapada dos Parecis, MT, a 630 metros de altitude quando encontra o rio Mamoré na Bolívia.

Com uma extensão de cerca de 1.400 km o rio Guaporé tem aproximadamente 1.150 km navegáveis a partir da Vila Bela da Santíssima Trindade. Quase todo o percurso do rio Guaporé no Brasil faz fronteira com a Bolívia. A maior parte do rio que está em Rondônia de encontra na cidade de Cabixi.

Pesca – Biodiversidade no Rio Guaporé

Os pescadores encontram nesse rio uma grande biodiversidade para a prática da pesca esportiva, ou seja, pegar e soltar os peixes. Essa prática é bastante difundida na cidade de Cabixi-RO e também em Pimenteiras do Oeste-RO. Trata-se de um atrativo turístico dessas regiões e por isso mesmo existe uma grande variedade de pousadas e hotéis.

As Cidades do Guaporé

As cidades brasileiras que são banhadas pelo rio Guaporé incluem no Mato Grosso: Comodoro, Vila Bela da Santíssima Trindade e Pontes e Lacerda e em Rondônia: Alta Floresta D’Oeste, Cabixi, Costa Marques, Guajará-Mirim, Nova Mamoré (situada junto a foz do rio) e Pimenteiras. Pelo lado boliviano apenas a cidade de Guayaramerín é banhada pelo rio Guaporé.

Os Afluentes do Guaporé

Pelo lado do Brasil os afluentes do rio Guaporé são: Rio Cabixi(RO) (que faz fronteira entre os estados de Mato Grosso e Rondônia), Rio Escondido (RO), Rio Galera e Rio Margarida.

Ameaças

A bacia Guaporé está sob ameaça devido a construção de represas como a do Madeira ou mesmo projetos de hidroelétricas de menor porte da Bolívia como Santa Anita, La Punta e La Garita. Para que o desenvolvimento da região aconteça sem maiores impactos para as espécies e necessário que o Brasil e a Bolívia compreendam que dividem essa bacia.

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Categoria(s) do artigo:
Recursos Naturais

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