Terras Indígenas: Tribos do Xingu

Até os dias de hoje, os costumes dos índios permanecem misteriosos ao homem urbanizado. Curioso pensar que mesmo com a tecnologia da atualidade existem tribos brasileiras que jamais iniciaram contato direto com a modernidade, residentes do Parque do Xingu, considerado como uma grande região de povos indígenas.

Existem diversas problemáticas dentro da religião que englobam conflitos entre ambientalistas e governo federal. Entre eles vale destacar a instalação da usina hidrelétrica do Xingu, que pode prejudicar o comportamento ecológico do local em níveis consideráveis. Conheça as belezas culturais e os principais problemas vividos pelas tribos do Xingu.

Riqueza Cultural das Tribos do Xingu

O Alto do Xingu traz questões que demandam maior nível de investigação e esforço entre as informações compartilhadas pelos pesquisadores. Apesar de grande diversidade de linguagem, as tribos presentes na região desde antes da colonização estabeleceram um tipo de comunicação inteligível somente entre eles.

Os aproximados seis mil índios da região traz quatro diferentes famílias linguística: Macrojê, macrotupi, caribe e aruaque; Existem inúmeros estudos realizados pela UNESCO que consideram o local como maior mosaico linguístico puro existente em todo o planeta. O sistema regional e a etnografia são considerados são complexos, com algumas semelhanças e variações de origens diferentes, que respeitam as tradições vivia por cada tribo.

Imagem de Amostra do You Tube

Existe ampla diversidade de instrumentos fabricados por matéria-prima vinda da vegetação amazônica. Algumas tribos acredita que as músicas servem para afastar os maus espíritos. Exemplo interessante está nas “Mulheres do Xingu”, que já viajaram a diversos países para fazer apresentações de cantos tradicionais das tribos.

De acordo com a crença, as mulheres realizam rituais cantando para proteger os homens que estão nas florestas em busca de alimento à tribo. Momentos de comemorações também fazem o povo indígena cantar e dançar.

As flautas uruás possuem quase um metro e meio de altura. Os índios tocam o instrumento que possui alto poder sonoro. Tambores, chocalhos e outros tipos de percussão ou sopro fazem parte dos principais instrumentos indígenas utilizados nos cultos das tribos no Xingu.

Rio Xingu: Desrespeito Constitucional

Na atualidade, a usina de Belo Monte representa discussão presente nas reclamações dos ecologistas e indígenas em favor de menos degradação ao meio ambiente. De acordo com a Constituição Federal, as leis devem favorecer de forma preferencial aos índios, considerado como população nativa no país.

Indígenas consideram o Rio Xingu como símbolo sagrado das crenças e cultos. Há longos anos, as tribos celebram rituais na beira das suas águas. Ecologistas dizem que a presença da usina hidrelétrica podem provocar mudanças consideráveis no ciclo ecológico.

O Governo Federal não se importa e implanta a construção em ritmo acelerado, principalmente porque os trabalhadores que participam do projeto acabaram de encerrar um longo ciclo de greve por reivindicação por maior período de férias.

A presidência da República afirma que não vai permitir que o desmatamento níveis altos, mas causa o próprio desrespeito com indígenas e natureza. O atraso para modificar o Novo Código Ambiental representa as legítimas preocupações do poder executivo.

Regras constitucionais afirmam que representa dever do estado cuidar das grandes vegetações e de tribos indígenas consideradas como nativas em terras verde-amarelas no momento da colonização do Brasil. Porém, diversos governantes ignoraram o fato e implantam a chegada do desenvolvimento para a região. Fato que pode ter influência negativa na manutenção da cultura e valores de gerações de famílias que cultuam os mesmos fatos sociais há milhares de anos.

A instalação da hidrelétrica do Xingu vai culminar na mudança ecológica de região. Algumas espécies de animais ou vegetais que ainda não foram classificados pelo homem podem desaparecer sem mesmo antes terem sido conhecidas ou utilizadas de maneira proveitosa pela humanidade.

Parque Xingu

Em 1961, Jânio Quadros criou o Parque do Xingu, a primeira terra indígena homologa pelo governo federal. Os irmãos Villas Bôas e Darcy Ribeiro foram nomes que colaboraram de forma direta na implantação do projeto que visa defender as 14 etnias distintas existentes na sul da região com quase trinta mil km². A distância entre Cuiabá, Capital do Mato Grosso, e o Xingu, está equivalente a seiscentos km.

A viagem ao local sem estar acompanhado por guias turísticos licenciados na FUNAI é altamente contraindicada, visto que algumas tribos não formalizaram o encontro com os homens modernos, existindo assim altas chances de acontecerem combates ou mesmo estresse entre as comunidades indígenas.

Ocupação Indígena na Região do Xingu

Estudos arqueológicos feitos por Michael Heckenberger à primeira ocupação aconteceram no século IX DC. As tribos chegaram com indústrias cerâmicas evoluídas, parecidas com as produzidas pela população arawak, presente no Xingu da atualidade. O pesquisador acredita que os arawak foram às primeiras tribos indígenas que colonizaram a região. A hipótese fica reforçada por causa das diversas tribos da América do Sul que falam a linguagem natural deste grupo. A família linguística se estende das ilhas do Caribe até a periferia meridional do Amazonas.

Heckenberger aponta que os arawak chegaram ao Amazonas pelo sul das passagens da América Central. Outros índios da mesma etnia chegaram pelas planícies bolivianas. As tribos estudadas pelo antropólogo pertencem à mesma família linguística dos índios colonizadores. A cultura também é semelhante, assim como as elaborações de sistemas agrícolas.

Seguindo na hipótese, a linguagem dos arawak permanece intacta há milhares de anos. A tese ainda necessita de maior embasamento teórico, visto que foi idealizada em 1993. Existem poucos pesquisadores e investimentos do governo federal para este tipo de pesquisa. De qualquer forma, se pode afirmar com maior certeza que as populações indígenas chegaram ao início do século XIII com gramática cultural pré-estabelecida e sistemas de produções complexos.

Escavações em doze sítios pré-históricos na região do Xingu atestam que as aldeias das épocas eram pelo menos dez vezes maiores do que as existentes na atualidade. Estes sítios evidenciam a presença de longos trajetos que indicavam presença de ampla interação social entre as tribos.

Karl Von Den Steinen, primeiro etnógrafo a realizar estudos na região, no final do século XVII, diz que por causa de efeitos diretos e indiretos das conquistas e chegada dos europeus as aldeias iniciaram o processo de desaparecimento em massa, principalmente por causa das epidemias.

Artigo escrito por Renato Duarte Plantier

 

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